Notícias : África Austral

Viúva de Mandela diz que África precisa ‘responder melhor’ ao ebola

SÃO PAULO. Viúva do ex-presidente Nelson Mandela, que pôs fim à política de Apartheid na África do Sul, a ativista moçambicana Graça Machel afirmou nesta segunda-feira que os países da África, Europa e os Estados Unidos precisam dar uma resposta à epidemia do vírus ebola à altura do problema, que já vitimou mais de 5,5 mil africanos. Questionada pelo GLOBO se faltava apoio dos países desenvolvidos ao combate à epidemia na África, Graça respondeu:

— Eu não diria que está faltando apoio. Eu diria que o apoio tem de responder à magnitude do problema, tem de responder na mesma medida. Mas é preciso reconhecer que eles (os países desenvolvidos) estão na África, nas zonas de maior incidência de ebola. E também é preciso dizer que os próprios africanos têm de responder melhor ao problema.

Graça Machel participa em São Paulo da FlinkSampa, uma festa literária que tem como foco a cultura negra e, apesar de à noite receber uma homenagem em seu nome e de Mandela, não quis falar com a imprensa sobre a história de seu marido, cuja morte completa um ano no dia 5 de dezembro.

— Não vou falar de Mandela, desculpe— disse Graça.

A ativista, que tem uma longa história de defesa dos direitos humanos e, notadamente, das mulheres e crianças, evitou durante todo o ano falar sobre Mandela. Ela rompeu o luto em junho passado e voltou à vida pública. Em setembro, discursou na cúpula das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. A jornalistas brasileiros, reafirmou sua posição:

— Precisamos saber quão rápido e com quais medidas pretendemos travar o nosso avanço para esse precipício. É preciso que os dirigentes políticos assumam suas responsabilidades, é preciso legislar de maneira muito clara o que é admissível ou não. As grandes empresas precisam ser responsabilizadas para ter programas inequívocos de como vão contribuir neste esforço e mesmo os países que não são emissores (de poluentes) têm de realizar a sua parte.

Graça Machel criticou o racismo no Brasil e disse que “não se pode permitir que a sociedade brasileira pretenda endossar, pretenda esquecer essa realidade”:

— A discriminação racial, ainda que não seja falada, ainda que seja de uma maneira velada, é uma realidade cotidiana que, por um absurdo, é uma realidade que afeta 52% da população deste país_ disse a ex-primeira-dama da África do Sul:_ Tenho conscientemente trazido à superfície o sofrimento que a humilhação da discriminação racial causa na sensibilidade do indivíduo, na sua afirmação como cidadão.

Ela defendeu o modelo sul-africano de democracia que, segundo ela, tem uma representação que se aproxima mais da sociedade. Sem defender sistema de cotas na política, Graça fez uma crítica indireta ao Brasil ao dizer que não poderia comparar onde haveria mais racismo, se no Brasil ou na África do Sul:

— Eu não gostaria de dizer quem é mais racista ou menos racista. Eu gostaria de dizer que, qualquer país que não reconhece que nos órgãos mais altos de decisão tem de ter uma representação de todos os grupos que compõem sua população, é um país que tem de questionar seriamente os valores democráticos que professa— disse ela, que completou:— É preciso que este país e outros se questionem sobre o que quer dizer uma representação democrática que reflita a composição de sua própria sociedade. A resposta não deve ser dada por mim, mas pelos brasileiros.

Questionada se a morte de Mandela teria colocado alguns risco no equilíbrio racial alcançado na África do Sul, Graça afirmou, ainda sem citar o ex-presidente:

—A África do Sul conseguiu prevenir, evitar que houvesse uma confrontação violenta baseada na raça. A África do Sul instituiu mecanismos claros, até em forma de lei, de participação de todos os órgãos em todos os órgãos de decisão. Há pessoas que questionam o processo de eleição proporcional, dizem que não responsabiliza o suficiente, mas eu julgo que não é por acaso que nós, hoje, no Parlamento sul-africano, temos uma representação significativa dos negros, dos indianos, dos pardos, das mulheres, dos jovens, das pessoas que vivem com deficiência. Temos um parlamento muito diverso que corresponde, de alguma maneira, não vou dizer que seja perfeito, mas que está muito mais próximo de representar a diversidade que a África do Sul é.

Sem falar sobre os problemas políticos e militares enfrentados hoje por Moçambique, Graça, que participou da luta pela independência do país e, em 1976, casou-se com o presidente Samora Machel, defendeu o modelo de democracia moçambicano. Para ela, é importante que os países desenvolvam políticas “claras” de inclusão e redução da desigualdade racial e social.

— Não é por acaso que os países liderados por movimentos de libertação na África Austral, que são Angola, Moçambique, Namíbia e a própria África do Sul, optaram por isso (pelo modelo de representação dos estratos sociais e das minorias). Porque nós, quando lutamos, sabíamos muito bem o que é essa coisa de ser discriminado. E dissemos que não vamos discriminar ninguém no momento em que chegarmos ao poder. É a nossa opção, é a nossa experiência, mas, como digo, cada país tem que dizer quais são as formas de ter uma representação que seja verdadeiramente democrática e expressão da composição social que tem— disse Graça.

Considerada uma das cem personalidades mais influentes do mundo pela revista Time, Graça Machel disse ainda que o Brasil “não tem problemas de recursos” para a educação, mas que “tem problemas de políticas” educacionais. Sobre índíces sociais e desenvolvimento humano, a ativista concluiu:

— O Brasil tem muito a aprender e a ensinar também. Tem sido um membro muito ativo na defesa dos interesses dos países em desenvolvimento. Mas, ao mesmo tempo, tem lições para tirar internamente para melhorar alguns índices, como de mortalidade materna e infantil.

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