Notícias : África Central

Milícia do Congo decapita 40 policiais em emboscada, dizem autoridades

KINSHASA, Congo — Milicianos da República Democrática do Congo decapitaram cerca de 40 policiais em uma emboscada, informaram autoridades locais neste sábado. Este já é considerado o ataque mais mortal às forças de segurança desde que uma insurreição começou na região, em agosto links congo passado.

Os milicianos de Kamuina Nsapu atacaram a polícia na sexta-feira, quando viajavam de Tshikapa para Kananga. Os membros da milícia roubaram armas e veículos, relatou François Kalamba, porta-voz da assembleia provincial de Kasai.

A insurgência, que se estendeu por cinco províncias, representa a mais séria ameaça para o governo do presidente Joseph Kabila. O fato de ele não ter saído do poder ao fim de seu mandato constitucional, em dezembro, provocou uma onda de assassinatos e de ilegalidade em toda a vasta nação da África Central.

— Eles [os policiais] foram apreendidos pelos membros da milícia, que decapitaram cerca de 40 — afirmou François Kalamba, acrescentando que a milícia poupou a vida de seis outros policiais capturados porque eles falavam a língua local, tshiluba.

O presidente da Sociedade Civil de Kasai, Corneil Mbombo, confirmou à Reuters que 40 agentes da polícia tiveram a cabeça cortada.

Mais de 400 pessoas já morreram por conta da violência na área central do Congo, de acordo com as Nações Unidas, e o governo disse na última terça-feira que 67 policiais e muitos soldados morreram nos confrontos.

oglobo.globo.com | 3/25/17 2:12 PM
Evento no IMS apresenta as origens de Carolina Maria de Jesus

RIO — No final dos anos 1950, um repórter da revista “O Cruzeiro” fazia um artigo sobre a Favela do Canindé, em São Paulo, quando conheceu uma catadora de papel que vivia em um dos barracos com três filhos pequenos. Chamava-se Carolina Maria de Jesus e escrevia romances, poesia e memórias nos cadernos que encontrava no lixo. O repórter Audálio Dantas pediu para ver as brochuras e animou-se em publicar principalmente os diários de Carolina, onde ela escrevia sobre a vida na favela, em trechos corrosivos como o final do dia 24 de julho de 1955: “Como é horrível levantar de manhã e não ter nada pra comer. Pensei até em me suicidar. Eu me suicidando é pôr fim à deficiência de alimentação do meu estômago. E por infelicidade eu amanheci com fome. Os meninos ganharam uns pães duros, mas estavam ‘recheiados’ de pernas de baratas. Joguei fora e tomamos café. Botei o feijão pra cozinhar”.

“Quarto de despejo: diário de uma favelada” foi publicado em 1960 e tornou-se um sucesso editorial, vendendo dez mil exemplares só nos três primeiros dias de lançamento. Carolina foi traduzida para 14 idiomas, vendida em 40 países, viajou por todo o Brasil para eventos literários, foi aclamada por escritores ilustres, gravou um disco com canções de sua autoria. Mas os livros seguintes não tiveram tanto êxito comercial e até hoje são difíceis de encontrar. E a trajetória de Carolina foi repetida na história literária brasileira como obra do acaso — uma flor rara nascida no lixão, uma exceção voluntariosa da carência.

Literatura ofuscada

Na próxima terça-feira, dia do aniversário da escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977), o evento comemorativo “Carolina de Jesus: uma voz soberana”, na sede do Instituto Moreira Salles (IMS), vai mostrar ao público que a história não foi bem assim. Depois da exibição, às 15h, do filme “Favela: a vida na pobreza”, da alemã Christa Gottman — fita de 1971 impedida de ser exibida à época no Brasil, por mostrar a miséria do Canindé, sendo restaurada pelo IMS em 2014 —, haverá uma palestra da historiadora da USP e pós-doutora em Literatura pela Universidade de Boston Elena Pajaro Peres, especialista na obra de Carolina, que foi a primeira pesquisadora a levantar as raízes da autora.

— A literatura de Carolina foi ofuscada pela questão social. Para compreender a autora, é preciso se afastar do “Quarto de despejo”, e mergulhar na sua trajetória para entendê-la como artista. Deslocar o foco para o seu percurso criativo — explica Elena, que com apoio da Fapesp foi em busca dos rastros de Carolina na cidadezinha de Sacramento, no sudoeste de Minas, como trabalho do seu pós-doutorado.

Foi lá que Carolina nasceu, em uma família de ex-escravos oriundos da África Central.

— Acho importante destacar essa linhagem afro-diaspórica que não estava contada. Carolina nasceu num ambiente de tradição oral muito forte. Havia um homem citado em suas memórias, um oficial da Marinha, que lia os jornais do dia em voz alta para os negros que não sabiam ler na cidade, em praça pública. Foi com ele que Carolina começou a exercitar sue pensamento crítico. Ela era tão curiosa que aprendeu a ler sozinha e estudou por dois anos numa escola destacada, o Colégio Espírita Allan Kardec, que hoje é um centro espírita. A Congada, festa em homenagem à Nossa Senhora do Rosário, do grupo afro-católico daquela região de Minas Gerais, foi muito importante para a construção do imaginário da escritora. Portanto, Carolina não é um milagre surgido por acaso no lixo, autora de um relato testemunhal apenas. A sua obra não parte da carência. Ela já escrevia desde criança, e já tinha muitas poesias e romances prontos quando o Audálio a conheceu e se interessou por seus diários.

A história não estava esclarecida, lembra Elena, porque faltava interesse em pesquisá-la. O que aumentou bastante quando do centenário da autora, celebrado em 2014. Com a efeméride, sua obra foi mais divulgada no Brasil, e hoje há dissertações e teses brotando em universidades como USP, Unicamp, UFMG e faculdades americanas.

— Há uma figura que Carolina destaca muito em suas memórias, o avô Benedito, que reforça o elo que ela tinha com sua linhagem africana, ainda em Sacramento, antes de ir embora para São Paulo e passar pelas dificuldades que relata em “Quarto de despejo”. Ele era o “ancestral”. Desde menina, o que ela queria era publicar os romances, os contos, as peças de teatro, ela nunca teve a intenção de transformar as memórias em livros. O primeiro livro que leu, uma vizinha emprestou, “A escrava Isaura”. Também lia Camões, folhetins, poetas românticos brasileiros. Seus romances, como “Pedaço de fome”, hoje raríssimo em sebos, mostram essa influência. É absolutamente romântico — enfatiza Elena, lembrando que há muito material de Carolina ainda não publicado. — Há documentos no próprio acervo do IMS, que tem dois cadernos dela (desde 2006), mas há também manuscritos em Sacramento, na Biblioteca Nacional e até na Biblioteca do Congresso Americano. Há muito a ser descoberto sobre Carolina ainda.

O interesse internacional na obra de Carolina chama a atenção. Sucesso principalmente nos EUA, onde “Quarto de despejo” é lido em escolas até hoje, Carolina teve o livro “Diários de Bitita” publicado primeiramente na França, em 1982, na Espanha, em 1984, e só depois no Brasil, em 1986.

— Numa palestra que dei na Alemanha, um editor me procurou ao final, interessadíssimo em publicá-la. Carolina foi uma lavradora, contista, romancista, cozinheira, sambista, empregada doméstica, poeta. Para ela, a literatura não era uma opção, era uma condição de vida.

oglobo.globo.com | 3/11/17 7:30 AM
China retoma laços com São Tomé e Príncipe, em mais uma vitória sobre Taiwan

A China e São Tomé e Príncipe oficialmente retomaram relações diplomáticas nesta segunda-feira, em um triunfo de Pequim sobre a rival Taiwan. A ilha africana havia rompido na semana passada relações diplomáticas com Taiwan.

O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e o ministro da mesma pasta de São Tomé, Urbino Botelho, firmaram memorando em cerimônia em Pequim. Wang disse que o restabelecimento das relações seria benéfico para as duas partes e que haverá intercâmbios em turismo, mídia e outras áreas.

O fato é uma vitória para Pequim, que considera Taiwan uma ilha que é parte de seu território. O regime chinês criticou o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, diante da possibilidade de que ele possa repensar a política dos EUA de aceitar a posição chinesa para a ilha.

Pequim e Taipé competem por aliados por boa parte das quase sete décadas desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949, quando os nacionalistas derrotados fugiram pelo Estreito de Taiwan. A maioria do mundo não reconhece formalmente Taiwan, o que é uma condição para manter relações com a China. Após São Tomé romper relações na semana passada, apenas 21 países e governos, em sua maioria da América Latina e do Caribe, mantêm laços oficiais com Taiwan. O ministro das Relações Exteriores de Taiwan, David Lee, acusou na semana passada São Tomé de exigir "uma quantia astronômica de ajuda financeira" para manter as relações, sem especificar o valor.

São Tomé e Príncipe é uma ilha na costa da África central, com uma população de quase 200 mil habitantes. A empobrecida ex-colônia portuguesa depende fortemente de ajuda estrangeira. A China suspendeu as relações com São Tomé em 1997 após a ilha estabelecer laços diplomáticos com Taiwan.

Botelho disse que São Tomé desejava "consertar nossos erros do passado". O ministro afirmou que espera que mais empresas chinesas invistam no país e que mais turistas chineses visitem a ilha. Fonte: Associated Press.
www.folhadaregiao.com.br | 12/26/16 12:02 PM
Testes finais confirmam que vacina contra ebola é altamente eficaz

GENEBRA — Uma vacina experimental contra o vírus ebola se mostrou 100% eficaz, de acordo com um estudo publicado na The Lancet na quinta-feira. Os resultados finais dão esperança a uma melhor proteção contra a doença que devastou alguns países africanos em 2014, matando mais de 11 mil pessoas.

— O ebola deixou um legado devastador em nosso país. Estamos orgulhosos de podermos contribuir para o desenvolvimento de uma vacina que irá ajudar na prevenção contra a doença em outros países — disse Jeita Sakoba, diretor da agência nacional de saúde na Guiné.

A vacina foi aplicada em torno de 5.800 pessoas no ano passado na Guiné, quando o surto da doença estava em queda. Todos os imunizados tiveram contato algum paciente com o vírus . Eles receberam a vacina imediatamente ou três semanas depois. Após um período de espera de 10 dias, nenhum caso da doença foi registrado. Entre os que não receberam imediatamente a vacina, houve 23 casos de ebola.

Algumas pessoas que foram imunizadas relataram dores de cabeça, fadiga e dores musculares. Dois pacientes apresentaram reações graves, incluindo que teve uma reação alérgica

Poucos meses após os primeiros testes, a Organização Mundial da Saúde disse que os resultados preliminares eram um "desenvolvimento extremamente promissor". A vacina foi fabricada pela Merck, Sharp & Dohme e está sendo acelerada pelas agências reguladoras dos EUA e da Europa. A companhia farmacêutica prometeu garantir que 300 mil doses da vacina estarão disponíveis no caso de um novo surto de ebola. Ele vai submeter a vacina para licenciamento até o final de 2017.

O vírus apareceu pela primeira vez na África em 1976 e causou surtos periódicos principalmente na África central, mas nunca com resultados tão mortais quanto o surto da África Ocidental. Muitas tentativas de vacina anteriores falharam. Entre os obstáculos: a natureza esporádica dos surtos e falta de financiamento.

oglobo.globo.com | 12/23/16 4:59 AM
Um passeio por três séculos de história "a bordo" de uma xícara de café
Da África Central aos países árabes, da Europa à América Latina, passando pela Ásia, o café tem ... diversao.terra.com.br | 11/30/16 11:04 AM
Pássaro 'recordista' é capaz de voar 10 meses sem pousar

LUND, Suécia — Um pequeno pássaro de plumagem escura conhecido como andorinhão preto (Apus apus) voa por 10 meses a fio sem nunca pousar, o que representa o maior tempo passado no ar por qualquer ave conhecida, disseram cientistas nesta quinta-feira. links pássaros

As conclusões, publicadas na revista científica americana Current Biology, confirmaram uma hipótese formulada pela primeira vez há 46 anos pelo pesquisador britânico Ron Lockley, de que estas aves passam a maior parte das suas vidas no ar.

Uma equipe de pesquisadores da Suécia equipou 13 pássaros desta espécie com pequenas mochilas contendo dispositivos que registravam se as aves estavam no ar ou não, a sua aceleração, e onde tinham estado em um determinado momento.

"Quando os andorinhões pretos deixam o seu local de reprodução em agosto para migrar para as florestas tropicais da África Central, através da África Ocidental, eles não tocam o solo até voltarem para a próxima estação de reprodução, 10 meses mais tarde. Alguns exemplares podem se empoleirar por breves períodos, ou mesmo por noites inteiras no meio do inverno, mas outros literalmente nunca aterrizam durante este período", disse o pesquisador Anders Hedenström, da Universidade de Lund, na Suécia.

Os que pararam, o fizeram brevemente, tendo passado no total 99,5% dos 10 meses no ar. De acordo com o estudo, as aves agarram alimentos durante o voo.

Os pesquisadores disseram que ainda não sabem se ou como os pássaros dormem durante este tempo, mas sugeriram que eles talvez tirem pequenas sonecas quando voam a grandes altitudes, todos os dias ao amanhecer e ao anoitecer, e então começam a descer lentamente.

Durante o dia, eles provavelmente poupam energia, planando nas correntes ascendentes de ar quente. Outros tipos de aves, como as fragatas, são capazes de dormir enquanto planam.

"Esta descoberta amplia significativamente os limites do que sabemos sobre fisiologia animal. Uma fase de voo de 10 meses é a mais longa que conhecemos para qualquer espécie de aves. É um recorde", disse Hedenström.

oglobo.globo.com | 10/27/16 8:15 PM
‘O mundo hoje está mais dividido do que nunca’, diz Žižek

No livro “O sujeito incômodo” (Boitempo), que está sendo relançado agora, Žižek exorta uma reformulação de um projeto de esquerda em uma era pautada pelo capitalismo global e o multiculturalismo. Em entrevista ao GLOBO, por telefone, o filósofo comenta os impactos da nova ordem global, como a divisão cada vez maior em todo o mundo e a crise de refugiados, mas diz não ser pessimista com fenômenos como a ascensão de Donald Trump ou da extrema-direita na Europa. “Podem dar vida a novos autoritarismos, mas são também um sinal de mudança”, diz.

Acabamos de assistir ao Brexit. O senhor acha que a União Europeia está em risco?

Absolutamente, mas essa é uma situação muito complexa. Não tenho como apoiar o Brexit, mas muitos europeus, inclusive da extrema-esquerda, defenderam a saída do Reino Unido da União Europeia porque acreditam que é a única maneira de protestar contra este instrumento tecnocrata do capital que ela se transformou. Dizem que a única maneira de proteger suas conquistas, seu bem-estar social é manter Estados fortes e soberanos. Eu discordo totalmente disso.

Por quê?

Primeiro e precisamente, porque o capitalismo é global. Nações menores e independentes não conseguirão se proteger. Há alguns anos, existia um conflito entre a União Europeia e o Reino Unido porque a UE queria impor padrões mínimos para proteger os trabalhadores; e o Reino Unido resistia, afirmando que isso afetava sua capacidade de competir. Ou seja, queriam mais liberdade para explorar trabalhadores. Acontece o mesmo agora com a questão de refugiados. A UE, sob domínio da Alemanha, é muito mais aberta do que muitos países que resistem a recebê-los, como, tenho vergonha de dizer, o meu país (a Eslovênia), a Croácia e todos os ex-comunistas.

O Brexit não resolve os problemas da UE?

O principal argumento para o Brexit foi que, se o Reino Unido continuasse no bloco, seria obrigado a aceitar refugiados. Eu não tenho simpatia pelo Brexit, mas não acho que seja uma catástrofe, tampouco é um progresso. Eu entendo a raiva daqueles que votaram pela saída, concordo que algo esteja errado com a UE, mas não acho que a solução que eles adotaram seja melhor. Talvez seja pior. O Brexit foi para mim uma pseudo escolha, não acho que tenha sido uma solução positiva para os erros da UE. Nada do que está errado deve mudar, será uma negociação sem fim, mas a Europa vai continuar no mesmo lugar.

Uma Europa extremista, com políticos como Marine Le Pen ou Nigel Farage no poder, continuaria a ser a Europa?

Não. Acho que o verdadeiro perigo para a Europa é a perda de seu legado de conquistas, como igualdade, os direitos das mulheres, o bem-estar social. Eles são os verdadeiros ameaçados. O que é triste, e isso não é algo muito popular a se dizer, é que o grande apoio a estes políticos vem de operários descontentes. Veja o Brexit. Foram eles quem decidiram pela saída. Essa é uma combinação muito perigosa. A fórmula simples do fascismo é essa, você tem a classe operária descontente, que sente raiva, se vê impotente e seu nacionalismo raivoso aumenta. Se essa raiva não for transformada em uma nova visão política, vira cada vez mais uma raiva cega.

No seu livro o senhor diz que a globalização é a principal causa da atual crise migratória. Por quê?

Eu falo da maneira como o capitalismo global tornou nosso mundo cada vez mais dividido entre os que estão dentro da área protegida e os que estão fora e querem entrar. O mundo hoje talvez esteja mais dividido do que nunca. Falamos apenas da crise na Europa, mas não esqueçamos do fenômeno global. Se você olhar de perto a crise de refugiados, vemos que parte dela é o resultado do que chamo de neocolonialismo econômico. São grandes potências que neocolonizaram economicamente países africanos como Congo e outros da África Central. A desintegração da economia faz com que eles tentem escapar. Por outro lado, há a guerra em países como Líbia, Iraque, Síria, que é a grande causa da crise de refugiados. E claro, o Ocidente é responsável. Porque simplesmente não existiria o EI sem a ocupação americana no Iraque.

Existe alguma solução para esta crise?

Acho que há coisas em curto prazo que poderiam ser feitas de maneira mais organizada. Muitas pessoas comuns têm medo de cruzar as fronteiras porque temem ser vítimas de racismo e é um escândalo que isso aconteça desta forma. A Europa poderia recebê-los de maneira muito mais organizada, não opressora e isso ajudaria a trazer mais refugiados. Até mesmo usando o Exército, não para combater ou controlar, mas para trazê-los de maneira organizada. A forma como isso acontece agora, sem o Exército, é muito pior, é um pesadelo. De acordo com estimativas oficiais, o contrabando de pessoas da Turquia para a Grécia rende de US$ 7 a 8 bilhões. Todo o processo é caótico.

Como explicar o fenômeno Donald Trump nos EUA?

O que faz Trump possível é o fato de que a ideologia dominante não funciona mais. Não podemos mais controlar e regular a população. As pessoas se rebelam contra isso. Todo o processo democrático, que normalmente é baseado em um padrão de mecanismos que define como a democracia funciona, está se desintegrando. E isso se reflete tanto na parte republicana, com Donald Trump, quanto na democrata, com Bernie Sanders (pré-candidato que perdeu a nomeação para Hillary Clinton). A mesma raiva que fez nascer Donald Trump também deu vida a Bernie Sanders. E eu acho que esse é um mecanismo perigoso, que leva a uma crise política, pode dar vida a novos autoritarismos, mas é também um sinal de mudança, para algo novo. É uma situação em aberto. Mas não sou pessimista, cito meu amigo Mao-Tsé Tung: “Se tudo sob o céu está em caos absoluto; então a situação é excelente”.

Qual o segredo de Trump?

Mesmo que rejeite Trump, acho que ele é um fenômeno interessante. Algumas vezes ele até diz coisas que são mais racionais que a elite do partido. E em muitas nem sabemos o que ele defende, quais são suas propostas políticas específicas. O grande segredo de Trump é que ele é um americano típico tradicional de centro. E para esconder isso, ele se faz de palhaço, se excede. Eu tinha muito mais medo de outros pré-candidatos, como Ted Cruz. Ele era o verdadeiro pesadelo, não Trump.

Como o senhor vê o aumento de ataques por lobos solitários, como o da semana passada na Turquia ou o da boate gay em Orlando?

Não acho que seja um fenômeno interessante e muito crucial. Só mostra que o terror é a força dos mais fracos. Não podemos combatê-los, porque eles respondem com terror. E penso que o Estado Islâmico é um fenômeno muito misterioso. Ele tem hoje 10, 20 mil militantes na Síria e cinco potências tentando destruí-lo. Isso poderia ser feito em semanas. Acho que o que realmente está acontecendo é que o novo grande poder está lutando contra seu próprio status, através do EI. Por exemplo, sunitas contra xiitas; Europa Ocidental e Rússia. Há outros conflitos por trás disso. Eu rejeito esse pensamento de que agora temos uma grande ameaça.

oglobo.globo.com | 7/4/16 7:30 AM
Grupo de 34 migrantes, entre eles 20 crianças, são achados mortos no deserto do Níger

NIAMEY - Os corpos de 34 emigrantes, incluindo 20 crianças, foram encontrados na semana passada no deserto do Níger, informou nesta quarta-feira o ministério do Interior nigerino. "Trinta e quatro pessoas - cinco homens, nove mulheres e vinte crianças - morreram quando tentavam cruzar o deserto", assinalou o ministério em um comunicado enviado à AFP.

— Morreram provavelmente de sede, como geralmente ocorre, e foram encontrados próximos a Assamaka — um posto de fronteira entre Níger e Argélia, disse à AFP uma fonte de segurança.

Duas das vítimas que chegaram até lá vinham da Nigéria. No país vizinho, muitas pessoas fogem da guerra travada pelo governo com o grupo terrorista Boko Haram.

A região desértica de Agadez, no Norte, dá no Saara, e teve no ano passado 37 mortos na travessia (120 mil cruzaram, segundo a Organização Internacional para as Migrações).

Com vastas áreas desérticas, o Níger é passagem para muitos migrantes que saem da África Central e Subsaariana em busca de melhores condições econômicas e em fuga da perseguição e das guerras. Muitos vão para a Argélia e a Líbia, de onde partem em botes e barcos rumo à Europa.

oglobo.globo.com | 6/15/16 11:04 PM