RIO - A Coca-Cola está sendo acusada por ativistas de direitos humanos de dar apoio à ditadura da Suazilândia, onde tem sua maior fábrica na África. O estopim para as críticas foi um convite que teria sido feito ao ditador Mswati III para uma visita às instalações da companhia em Atlanta (EUA).
- A Coca-Cola tem que saber que está fazendo negócios com as pessoas erradas - disse María Pais da Silva, defensora da democracia na Suazilândia. - Isso não beneficia a nossa economia. Seus lucros não ajudam o povo.
A empresa garante que, para atuar no país, não paga ao rei Mswati III, à frente da última monarquia absolutista da África e que enfrenta constantes acusações de violações dos direitos humanos e civis. Ativistas dizem, no entanto, que, só com o pagamento de impostos, a Coca-Cola acaba sendo responsável por 40% do PIB da Suazilândia.
Para María Pais da Silva, os investimentos da Coca-Cola dão mais força econômica ao regime para reprimir a oposição. Por isso, diz, entrou em contato com a companhia para advertir sobre seus negócios na Suazilândia.
A Coca-Cola diz que não tem responsabilidade com o que é feito com o imposto pago e lembra que possui uma fundação na África, criada na Suazilândia em 2001, que investe em áreas como saúde e educação.
- Ou você apoia o povo ou fica do lado do rei, entrando para a lixeira da história - afirmou, por sua vez, Lucky Lukehele, da ONG Rede Solidária da Suazilândia.
Mswati III conta com uma fortuna de US$ 100 milhões, apesar de liderar um dos países mais pobres do mundo. Na Suazilândia, partidos políticos são proibidos, e são frequentes as denúncias de que os opositores ao regime são presos e torturados.
oglobo.globo.com | 1/3/12 11:08 PM