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Notícias : Oceano Índico

É possível diminuir impacto dos terremotos

"Terremotos não matam pessoas, prédios matam". Essa é uma frase que os especialistas em abalos sísmicos repetem com frequência.

Para Brian E. Tucker, fundador e presidente da ONG GeoHazards International que ajuda países em desenvolvimento a se prepararem para os desastres causados por terremotos, dois abalos ocorridos no fim dos anos 80 ilustraram muito bem o que pode acontecer.

Um terremoto de magnitude 6,8 em dezembro de 1988 devastou a Armênia, que na época era parte da União Soviética. Oficialmente, o total de mortos chegou a 25 mil, mas estimativas extraoficiais colocam o total de vítimas fatais em mais de 40 mil pessoas.

Dez meses mais tarde, um terremoto um pouco mais forte, de magnitude 6,9, afetou o oeste de San Francisco, sacudiu praticamente o mesmo número de pessoas que o terremoto da Armênia. Em West Oakland, Califórnia, a rodovia elevada Cypress Freeway despencou. O distrito da Marina de San Francisco, construído sobre um velho lixão que se liquefez durante o terremoto, pegou fogo. E parte da Bay Bridge desmoronou.

O total de mortes foi de 63 pessoas.

"Eu fiquei chocado com os números. Isso confirmou o que eu já desconfiava, minha intuição de que havia uma disparidade tremenda na letalidade dos terremotos", afirmou Tucker, que na época era responsável pelo programa de perigos geológicos da Califórnia.

Em lugares como a Califórnia e o Japão, construções feitas para resistir a terremotos são obrigatórias. Em muitos outros lugares, os códigos de construção civil são menos rígidos e os construtores tomam atalhos.

"Eu pensei que deveríamos encontrar uma forma de exportar essas práticas de segurança e, naturalmente, adaptá-las aos países em desenvolvimento que correm mais riscos", afirmou Tucker.

O terremoto de magnitude 7,8 que destruiu inúmeras construções no Nepal no mês passado demonstrou mais uma vez o quanto isso é óbvio.

Em 1990, Tucker pediu afastamento para fazer um mestrado em políticas públicas em Harvard. Ele voltou para a Califórnia, deixou o emprego no California Geological Survey e fundou a GeoHazards.

"Eles fizeram coisas fabulosas ao longo das décadas, projetos que fazem a diferença, como a reforma de escolas no Nepal e o treinamento de trabalhadores da construção civil em muitos países", afirmou Susan E. Hough, simóloga do U.S. Geological Survey.

Tucker cita Aizawl, uma cidade propensa a terremotos no nordeste da Índia como exemplo. Ao trabalhar com o governo local, um comitê de especialistas diagnosticou os riscos e sugeriu soluções, o que levou a prefeitura a impedir construções em encostas suscetíveis a deslizamentos de terra.

"Nossa vida gira em torno da preparação e da ação antes do desastre, por isso, tentamos descobrir onde ele pode acontecer e onde as pessoas não estão preparadas, para que possamos ajudá-las", afirmou Tucker.

No topo dessa lista está Kathmandu, a capital do Nepal. Uma cidade aninhada em um vale próximo ao Himalaia, onde o subcontinente indiano está sendo empurrado para baixo da placa tectônica eurasiática. Uma guerra civil ocorrida há uma década enfraqueceu o governo e levou as pessoas a migrarem para as cidades.

A GeoHazards previu que o desabamento das construções causaria o maior número de ferimentos e mortes no caso de um terremoto no Nepal. Isso ajudou à criar uma ONG local, a Sociedade Nacional de Tecnologia Sísmica do Nepal, que trabalhava para reformar escolas e hospitais, treinando equipes de emergência e educando as pessoas sobre como se preparar.

"Acredito que eles salvaram muitas vidas", afirmou Tucker.

As mais de 7.300 mortes relatadas até o momento representam um número muito menor do que o temido por muitas pessoas no caso de um terremoto dessa magnitude. Susan afirmou que, ao que tudo indica, boa parte dos tremores do vale de Kathmandu veio do que os sismólogos chamam de ondas de longa duração.

"Assim como as ondas no mar, cada ciclo demorou cerca de cinco segundos, o que é diferente de um movimento mais intenso e rápido, que teria causado muito mais danos às construções. Contudo, mesmo em vista desses desafios enormes, tudo indica que as iniciativas de preparação também fizeram muita diferença", afirmou Susan.

Tucker afirmou que sua organização teve mais facilidade ao trabalhar com o governo estável do Butão, país a leste do Nepal. A GeoHazards treinou engenheiros para o departamento de gestão de desastres do governo. Tucker também está trabalhando para criar uma forma mais rápida e barata de proteger as crianças nas escolas.

Durante os terremotos, o estudantes são instruídos a se abrigarem sob as carteiras, mas isso não significa muito se as mesas não resistirem à queda de pedaços do teto.

"As escolas são mal construídas, e as mesas são ainda piores", afirmou Tucker.

O terremoto do Nepal aconteceu durante o sábado, quando as escolas estavam vazias. Mas em Sichuan, na China, em 2008, milhares de crianças e professores foram esmagados quando as escolas ruíram durante um terremoto de magnitude 8,0.

Há cerca de um mês, Tucker conheceu Ido Bruno, professor de Desenho Industrial na Academia Bezalel de Artes e Design em Jerusalém. Um aluno de Bruno, Arthur Brutter, criou uma carteira resistente a terremotos em seu projeto de conclusão de curso. Após a gradução de Brutter, os dois continuaram a aperfeiçoar o projeto. A carteira, cujo design foi licenciado por uma fabricante de móveis de Israel, é leve o bastante para ser carregada por dois alunos, mas pode sobreviver à queda de até uma tonelada de escombros.

"Para ele, a carteira era o que faltava para a criação de soluções mais seguras", afirmou Bruno a respeito de Tucker. "Para nós, essa é uma ótima chance de ajudar os países em desenvolvimento".

Tucker espera convencer a empresa israelense a treinar futuros fabricantes de móveis no Butão para replicar o design e, em seguida, convencer o ministério da educação do Butão a comprar as carteiras. Ele afirmou que achava que as carteiras, feitas de tubos de metal, madeira laminada e usada por dois alunos de cada vez poderia custar apenas 70 dólares cada. "E, então, seríamos capazes de salvar as crianças mesmo que as escolas desabassem. O custo por vida salva seria de apenas 35 dólares. Pra mim, isso seria um avanço inigualável."

Até que as escolas possam ser reforçadas, o que exigiria mais tempo e dinheiro, "isso nos dá maior capacidade de ação", afirmou Tucker.

A cidade indonésia de Padang, na costa oeste de Sumatra, enfrenta uma ameaça sísmica diferente. Embora a região já tenha sido abalada inúmeras vezes, incluindo o terremoto de 2004 que gerou o tsunami responsável pela morte de 230 mil pessoas nas cidades costeiras do Oceano Índico, a tensão continua em uma parte da falha tectônica que ameaça Padang. Quando essa falha ruir, acredita-se que isso possa gerar um tsunami capaz de varrer uma área onde mais de 500 mil pessoas vivem. Muitas delas não terão tempo de correr para o interior.

O plano da GeoHazards é ajudar a população a correr para o alto, ao invés de tentar fugir do tsunami. A ONG criou o projeto de uma estrutura de sete metros de altura em uma base aérea que raramente é usada e que serviria como parque e refúgio para mais de 20 mil pessoas no caso de um tsunami.

"Queremos que as pessoas assumam esse projeto, para que possam replicá-lo no futuro", afirmou Tucker.

Ao todo, US$400 mil já foram arrecadados para o projeto, mas ao menos US$2 milhões seriam necessários para a construção.

"O progresso é absurdamente lento. Estou até com vontade de escrever para eles depois desse terremoto no Nepal e avisar que isso vai acontecer na cidade deles se não começarem a trabalhar agora", afirmou Tucker.

oglobo.globo.com | 5/13/15 10:00 AM
Jornalista diz que os EUA mentiram e que corpo de Bin Laden não foi atirado ao mar
Afinal, o corpo do fundador da al-Qaeda, Bin Laden, não foi atirado para o Oceano Índico. É o que escreve o jornalista norte-americano Seymour Hersh, na publicação "London Review of Books", contrariando a versão das autoridades dos Estados Unidos. feeds.jn.pt | 5/11/15 9:30 PM
Terremotos em série intrigam público e cientistas
Locais das grandes catástrofes - Editoria de Arte

RIO - O forte terremoto que atingiu o Nepal no último fim de semana pode ser apenas o mais recente de uma série de grandes tremores que aflige o mundo desde dezembro de 2004 e intriga os cientistas e o público em geral. Naquele ano, um abalo de magnitude 9,1 na região das Ilhas Andaman, na costa Oeste de Sumatra, Indonésia, provocou um tsunami que deixou mais de 220 mil mortos em países em torno do Oceano Índico. Este sismo marcaria o início de uma sequência de eventos devastadores que sacudiram do Chile ao Japão, passando por China, Haiti e Itália, com um total de vítimas fatais que chegaria a mais de 600 mil, numa sucessão de tragédias que levanta suspeitas de que estes terremotos poderiam estar interligados.

Até 2004, o último terremoto com magnitude acima de 9 tinha sido registrado no Alasca cerca de 40 anos antes, ele mesmo parte de uma estranha sequência de tremores poderosos iniciada em 1950, quando um sismo de magnitude 8,6 sacudiu o Tibete. Como agora, esta série de fortes abalos no início da segunda metade do século XX pareceu estar concentrada em um período relativamente curto de tempo, de não mais de 15 anos. Segundo os cientistas, esta aparente aglomeração (clustering, no termo em inglês) de grandes terremotos globais pode não passar de uma simples coincidência — mas também pode ser indício da existência de mecanismos que fazem com que um deles precipite a ocorrência de outro mesmo a enormes distância. Mecanismos que desafiam os atuais conhecimentos sobre o funcionamento e o comportamento das placas tectônicas que formam a crosta terrestre.

— O histórico destes aparentes ciclos é suspeito, mas até agora não temos evidências de que tais mecanismos de fato existam além desta observação — diz Tom Larsen, líder de arquitetura de produtos de modelagem e previsão de catástrofes da CoreLogic EQECAT, empresa de análise de dados que presta consultoria a companhias seguradoras e de resseguros, entre outras. — Sabemos e entendemos muito bem como grandes terremotos podem ser precedidos por abalos menores e sucedidos por uma miríade de abalos secundários, os chamados aftershocks, em nível local e regional, mas em nível global ainda não temos conhecimento suficiente nem para provar nem para derrubar esta hipótese.

MOVIMENTO MACIÇO DA CROSTA

Segundo Larsen, a ideia geral desta hipótese é que, num tremor em grande escala, o movimento maciço da crosta terrestre pode transmitir energia a grandes distâncias, o suficiente para que uma falha em uma região afastada do planeta atinja seu limite e se rompa, deflagrando outro forte terremoto.

— O conceito básico por trás disso é que a liberação da energia em uma área aumenta a pressão em outra, mesmo que muito distante, mas isso teria que se dar de uma maneira que não sabemos ou vai de encontro ao que conhecemos sobre o comportamento da Terra — conta. — Assim, a observação destes aparentes ciclos de grandes terremotos não é ilógica ou irracional, mas o fato é que precisamos de mais informação e estudos para fazer qualquer ligação direta entre eles.

Já Robert Yeats, professor da Universidade do Estado de Oregon, nos EUA, e especialista em geologia de terremotos e placas tectônicas, é mais cético. Segundo ele, os atuais modelos sobre o comportamento da Terra e previsão da probabilidade da ocorrência de terremotos em nível regional não contemplam qualquer tipo de influência de grandes abalos a grandes distâncias.

— Temos evidências da ocorrência de aglomerações de terremotos em nível regional, mas nada global — afirma.

Ainda assim, Yeats reconhece que os atuais modelos para previsão de terremotos estão longe de serem precisos e admite a possibilidade, mesmo que remota, de grandes sismos deflagrarem outros em regiões distantes do planeta.

— Obviamente, ao olhar para trás e vermos que há 40 anos não tínhamos uma sucessão de terremotos fortes como essa, isso se destaca — considera o cientista. — A Terra é um sistema extremamente complexo e nosso conhecimento sobre o que acontece com ela é muito incompleto. Não sabemos se a sequência de grandes terremotos que estamos vendo é uma coincidência ou se há algum real mecanismo por trás disso. A verdade é que tudo é uma grande especulação e não podemos dizer ou prever, com base nisso, a possibilidade de termos outro grande terremoto num prazo relativamente curto, nem quando nem onde.

Apesar disso, Yeats conta que a mais recente série chamou a atenção das autoridades do Oregon, que o convocaram (e outros especialistas) para discutir a necessidade de medidas de prevenção de uma possível catástrofe provocada por eventual forte abalo na região tectonicamente ativa de Cascadia, no Noroeste dos EUA.

oglobo.globo.com | 5/3/15 9:00 AM
Xi Jinping no Paquistão para lançar um troço crucial da Nova Rota da Seda
O plano prevê a construção de oleodutos, linhas de caminho de ferro e uma auto-estrada de 3000 km que darão à China acesso privilegiado ao Oceano Índico. www.publico.pt | 4/20/15 4:11 PM
Fiocruz Paraná isola o vírus da febre chikungunya transmitida no Brasil

RIO - Um kit de diagnóstico de febre chikungunya confiável e com preço competitivo para que qualquer pessoa com suspeita da doença possa ser testada em todo o Brasil. Este deve ser, a médio prazo, o resultado de um trabalho que já dura três anos no Instituto Carlos Chagas (ICC)/ Fiocruz Paraná: em fevereiro, a equipe liderada pela virologista Cláudia Nunes Duarte dos Santos, coordenadora do laboratório de virologia molecular do ICC, isolou o vírus causador da febre chikungunya em amostras humanas vindas de Feira de Santana, na Bahia.

Atualmente o teste laboratorial existe, mas não em larga escala. Na maioria das vezes, a doença é apontada por um diagnóstico clínico epidemiológico, com informações sobre uma região onde o vírus está circulando, combinada com os sintomas de febre e dores articulares. A equipe da Fiocruz Paraná trabalha com dois horizontes: um teste rápido para ser feito à beira do leito em 15 minutos, e um teste ELISA (sigla para Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), um exame que permite a detecção de anticorpos no sangue, já usado no diagnóstico de várias doenças.

— Hoje sabemos que temos outras cepas de vírus no Brasil. Uma foi sequenciada e tem uma mutação no genoma que permite que, além do Aedes aegypti, o vírus cresça no mosquito Aedes albopictus, que suporta temperaturas mais baixas e é muito agressivo — explica a pesquisadora. — Esses mosquitos têm o poder epidêmico muito grande, por isso o diagnóstico diferencial é importante, e também porque a doença pode ser confundida com outras, como dengue.

A febre chikungunya foi detectada pela primeira vez em 1952, na fronteira da Tanzânia com Moçambique e se espalhou pela África e Ásia. No fim de 2013 a chikungunya foi registrada pela primeira vez nas Américas. Até de janeiro de 2015, mais de 1,135 milhão de casos suspeitos foram registrados nas ilhas do Caribe, países da América Latina e EUA, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e 176 mortes foram atribuídas à doença no mesmo período.

No Brasil, o último Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, aponta 771 os casos autóctones suspeitos no país, sendo 82 confirmados (nove por exame laboratorial e 73 por diagnóstico clínico epidemiológico), 687 em investigação e dois descartados no período de 4 de janeiro a 7 de fevereiro deste ano. Os estados do Amapá, Mato Grosso do Sul, de Goiás, da Bahia, e Distrito Federal são os afetados.

Há três anos, quando o trabalho do laboratório de virologia molecular do ICC começou, o vírus da febre chikungunya sequer circulava no Brasil, mas os pesquisadores já previam, pela dispersão que acontecia nas ilhas do Oceano Índico, que a doença viria para as Américas. A equipe então sintetizou quimicamente o gene do vírus e a partir dele produziram uma proteína recombinante — dava para produzir insumos antígenos e anticorpos recombinantes para fazer o diagnóstico, mas não havia amostras de soro de pacientes para validar isso.

Depois disso uma parceria com o Instituto Pasteur da Guiana Francesa enviou amostras de pacientes, mas numa fase específica da doença — o interessante é ter pacientes em diferentes fases, e são três: na primeira quando há vírus circulante no organismo, na fase aguda quando são criados os anticorpos, e na fase de convalescença.

— Recentemente o Instituto Gonçalo Muniz, na Bahia, reuniu pesquisadores, médicos e enfermeiros envolvidos com o vírus e, através desse contato conseguimos um painel de amostras de pacientes de Feira de Santana na fase aguda, nos primeiros cinco dias da doença — conta Cláudia. — Recebemos as amostras, inoculamos o vírus nas células de mosquito em cultura e conseguimos fazer o isolamento — comemora.

oglobo.globo.com | 3/5/15 9:00 AM
Surto de peste negra na África preocupa OMS: 'Alarmante', diz diretora
Pesquisadores trabalham para desvendar esqueletos de vítimas da Peste Negra - HO / AFP

RIO e GENEBRA -Responsável por uma das mais devastadoras epidemias da História e temida por sua brutal mortalidade, a peste negra volta a preocupar autoridades internacionais. A doença, também conhecida como peste bubônica, infectou 263 pessoas na ilha de Madagascar, na África, levando a 71 mortes desde setembro passado, de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) anteontem. O surto teve seu pico entre novembro e dezembro e, ainda que haja indícios de arrefecimento, deve continuar até abril.

Com uma letalidade que varia de 30% a 60% se não tratada, a doença matou 50 milhões de pessoas durante o século XIV. Embora considerada erradicada em diversas partes do mundo, há registros de epidemias em África, Ásia e América do Sul, nas últimas décadas, com destaque para o primeiro continente, desde os anos 1980. Em 2013, foram 783 casos e 126 mortes notificados em todo o mundo. Madagascar, um arquipélago com 20 milhões de habitantes, é um dos países mais atingidos. Nos EUA, por exemplo, onde moram mais de 300 milhões, são, em média, dez casos por ano, todos em áreas rurais.

A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida aos seres humanos pelas pulgas de ratos pretos e outros roedores. Porém, 8% dos casos progridem para uma pneumonia letal, transmissível diretamente entre uma pessoa e outra.

MÁ HIGIENE FACILITA DISSEMINAÇÃO

De acordo com especialistas, a doença poderia chegar a outros países por meio do trânsito de viajantes. Porém, barreiras locais são eficazes na contenção da doença. Além disso, a disseminação da doença costuma ocorrer em ambientes favoráveis a essa proliferação: locais com más condições de higiene, com ratos e pulgas, vetores da doença.

- Qualquer doença pode atingir outros países, especialmente nos dias atuais, pela frequência da movimentação de pessoas. Mas, no caso da peste, são necessárias condições propícias para o seu desenvolvimento, relacionadas principalmente à existência de doentes e a condições precárias de vida, onde haja presença de ratos e pulgas de forma não controlada - explica a coordenadora do Comitê Científico de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia, Sylvia Lemos Hinrichsen. - Adotar medidas de barreira em locais onde há a doença, o que inclui diagnóstico precoce, isolamento de doentes/suspeitos e tratamento rápido com antibióticos, fará, nos dias atuais, a diferença dos tempos medievais.

De acordo com a OMS, a praga está afetando a capital de Madagascar, Antananarivo, proliferando-se em favelas densamente povoadas.

O virologista Fernando Portela Câmara, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a doença tem um alto grau de imprevisibilidade:

- A doença tem uma dinâmica inesperada e complicada. O grau de letalidade depende da linhagem dos bacilos. No entanto, hoje há tratamento, caso a peste seja diagnosticada rapidamente.

Câmara acrescenta que, assim como o ebola, a doença normalmente emerge depois de um período de seca seguido de uma temporada de chuvas. O ambiente propício à transmissão é de temperatura abaixo dos 26°C.

Em carta ao comando da Organização das Nações Unidas (ONU) no final de janeiro, a diretora da OMS, Margareth Chan, destacou que o assunto merece atenção. Segundo a OMS, enchentes geradas por uma tempestade tropical no Oceano Índico e um ciclone atingiram Madagascar em janeiro, deixando sem casa dezenas de milhares de pessoas “e espalhando um sem-número de ratos, intensificando o risco de mais epidemias originadas em roedores”, escreveu a dirigente. O documento foi elaborado em meio a discussões sobre o orçamento da organização para 2016 e 2017. A praga foi citada por Margareth como exemplo de doença que pode ser um problema sério no futuro e para o qual a entidade internacional de saúde precisa estar preparada.

“Esse é o tipo de surto localizado que a OMS foi criada para conter. A praga é endêmica em Madagascar, onde epidemias sazonais são amplificadas pelas forças da pobreza e da urbanização desorganizada. Detectada precocemente, a doença responde bem a tratamento”, escreveu a diretora, explicando ainda que pesquisadores locais do Instituto Pasteur desenvolveram um teste que entrega o diagnóstico em 15 minutos. “Mas o surto que começou em novembro do ano passado tem dimensões perturbadoras. As pulgas que transmitem essa doença antiga de ratos para humanos desenvolveram resistência ao inseticida de primeira linha”.

oglobo.globo.com | 2/12/15 4:48 PM
Malásia declara que sumiço do voo MH-370 foi um acidente e encerra investigações

KUALA LUMPUR - A Malásia decidiu oficialmente encerrar as investigações em torno do desparecimento do voo MH-370, da Malaysia Airlines, que sumiu dos radares quando viajava com 239 pessoas de Kuala Lumpur a Pequim em 8 de março do ano passado, e declarar o desaparecimento como um acidente que não deixou sobreviventes. Com a afirmação oficial, os parentes das agora consideradas vítimas poderão pedir compensações à Malaysia Airlines.

Esforços de buscas duraram dez meses, mas não forneceram pistas concretas sobre o paradeiro da aeronave. Várias regiões de busca foram vasculhadas por equipes internacionais no Oceano Índico, sem sucesso. O desparecimento deu margem a hipóteses como sequestro, desintegração no ar e queda no mar.

Atualmente, quatro navios continuam vasculhando o Oceano Índico, e acredita-se que possíveis destroços estejam em uma latitude próxima à da cidade australiana de Perth, mas a leste.

O anúncio seria feito em uma coletiva, mas o ministro dos Transportes do país fez o anúncio para evitar constrangimentos com os parentes na ocasião.

oglobo.globo.com | 1/29/15 10:25 AM
Na Volvo Ocean Race a solidariedade também vale ponto
O júri da Volvo Ocean Race definiu, nesta terça-feira (30), que o Team Alvimedica foi o quarto colocado na segunda etapa da Volta ao Mundo. A mudança do resultado foi uma compensação dada à equipe turca/norte-americana por ter alterado sua rota para ajudar o Team Vestas Wind, barco que encalhou numa ilha do Oceano Índico no fim do mês de novembro. O tempo utilizado para prestar socorro aos companheiros de regata foi retirado e, segundo a nova contagem, o Team Alvimedica ficou em quarto, mesmo posto do que o espanhol MAPFRE. Ambos saíram com quatro pontos perdidos.O comandante Charles Enright se mostrou satisfeito com a decisão após a reunião das equipes em Abu Dhabi, local da largada da terceira etapa da Volvo Ocean Race. Segundo ele, sua equipe perdeu tempo e deixou de aproveitar condições favoráveis de navegação para se dirigir à zona do incidente com o Vestas. www.lancenet.com.br | 12/30/14 9:19 PM