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Juntos em Cabo Verde, autores dizem: acordo ortográfico não une lusófonos

PRAIA - Uma caminhada por Praia, capital de Cabo Verde, vale por uma aula prática sobre as idas e vindas da língua portuguesa ao longo da História. No centro da cidade, um platô de onde se vê o Oceano Atlântico, casinhas de arquitetura colonial que poderiam estar em Paraty exibem letreiros como Loja Elegância, Padaria Pão Quente, Farmácia Africana. Basta descer uma ladeira, porém, para chegar a uma grande feira de rua onde se negocia de tudo — porcos e galinhas vivas, bugigangas eletrônicas, tecidos de Senegal, Gana e Guiné — em meio a gritos de “moia, moia, moia”, a palavra para “desconto” no idioma crioulo, o mais falado nas ruas do país. É o Mercado Sucupira, batizado em homenagem à terra de Odorico Paraguaçu na novela “O bem-amado”.

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Essa história de trocas culturais é o pano de fundo do sexto Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que termina hoje, em Praia. Ao longo de três dias, o evento promovido pela União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa (UCCLA) reuniu mais de 30 autores de nove países. A maioria já ratificou o acordo, em vigor desde 1º de janeiro no Brasil, mas em muitos locais ele ainda é aplicado de forma inconsistente, ou sequer foi implementado, como no caso de Angola e Moçambique. As experiências dos escritores mostram que o ideal do acordo, de aproximar os 250 milhões de falantes nativos de português, enfrenta desafios mais complexos do que a unificação da ortografia.

— Grafar uma palavra com uma letra a mais ou a menos não vai resolver os problemas do português em Angola, como as dificuldades do ensino e a falta de leitura. Essas são as questões reais — diz a poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares, de 63 anos, autora de mais de dez livros, que teve uma antologia de poemas publicada no Brasil, “Amargos como os frutos” (editora Pallas, 2012).

Radicada em Portugal, onde o acordo vigora oficialmente desde maio de 2015, Ana Paula não é contra a nova ortografia, embora estranhe quando num de seus versos aparece a palavra “afeto”, em vez de “afecto”. Ela conta que o governo angolano criou uma comissão para implantar o acordo, mas ainda estuda como dar conta da convivência entre o português e vários idiomas tradicionais dos povos banto de Angola. Para a escritora, do mesmo modo que palavras de origem banto, como “cachimbo” e “carimbo”, foram incorporadas à língua portuguesa, a mistura de idiomas feita hoje por músicos angolanos de kuduro não pode ser ignorada:

— O português está a se reinventar todos os dias.

IDIOMA FALADO POR APENAS 5% NO TIMOR LESTE

Grafar uma palavra com uma letra a mais ou a menos não vai resolver as dificuldades do ensino e a falta de leitura. Essas são as questões reais

O arquipélago de Cabo Verde tem um lugar central na história do idioma. Ali foi fundada em 1462 a primeira cidade europeia dos trópicos, Ribeira Grande, conhecida como Cidade Velha. A 15 quilômetros de onde hoje fica Praia, ela foi por séculos um dos principais entrepostos para o comércio de escravos. Um pelourinho no centro do povoado serve de lembrete aos visitantes sobre a história violenta do colonialismo e da língua portuguesa.

O idioma crioulo cabo-verdiano surgiu da mescla entre a língua dos colonizadores e a dos escravos trazidos da África Ocidental. Isso é visível em canções clássicas em crioulo, como “Sodade”, famosa na voz de Cesária Évora: “Quem mostra’ bo/ Ess caminho longe?/ Ess caminho/ Pa Sã Tomé”. Um dos principais romancistas do país, Germano Almeida, de 70 anos, é fã de Eça de Queiroz e Jorge Amado (principalmente “Mar Morto” e “Jubiabá”), mas diz que sua maior influência foram histórias contadas por antepassados numa mistura de crioulo e português. O acordo ortográfico entrou em vigor em Cabo Verde em outubro de 2015, mas Germano não se empolga com o tema.

— Só peço que me avisem onde botar os acentos — brinca Germano, que defende a importância da língua portuguesa para o país. — O crioulo é a língua oral de Cabo Verde, a que toda a gente fala, mas precisamos muito do português também, ele é fundamental na nossa história e literatura. Isso deveria ser reforçado nas escolas.

O crioulo é a língua oral de Cabo Verde, mas o português é fundamental na nossa história e literatura. Isso deveria ser reforçado nas escolas

Embora seja hoje um autor de destaque da língua portuguesa, com boa recepção crítica em Portugal, Germano só teve um romance lançado no Brasil, “O testamento do Sr. Napumoceno”, há 20 anos, pela Companhia das Letras. Ainda assim, é um dos poucos autores do evento já publicados no país. O poeta Arménio Vieira, por exemplo, primeiro cabo-verdiano a ganhar o Prêmio Camões, em 2006, e um dos homenageados do encontro, continua inédito em solo brasileiro.

— Fui ao Brasil lançar o livro e me pareceu que a literatura africana era uma ilustre desconhecida. Mas acredito que isso tem mudado, com mais estudos sobre o assunto — avalia Germano.

Representante do Timor Leste no evento, o romancista Luís Cardoso também tem apenas um livro no Brasil, “Réquiem para um navegador solitário” (Língua Geral, 2010). A língua portuguesa foi banida do Timor em 1975, quando o pequeno país, que ocupa metade de uma ilha no Oceano Índico, conquistou a independência de Portugal mas foi logo ocupado pela Indonésia. O idioma voltou a ser liberado em 2002, com o fim da ocupação.

Mais jovem do que o próprio acordo ortográfico, assinado em 1990, o Timor aderiu ao protocolo em 2009. Mas hoje a adequação às novas regras é uma preocupação menor do que a própria sobrevivência do português no país, onde ele é falado por apenas 5% da população e é o quarto idioma oficial, ao lado do inglês, do indonésio e do tétum, uma língua local muito influenciada pelo português — o vocabulário tétum tem palavras como “democracia” e “liberdade”, conta o escritor.

LUSOFONIA É UMA “PALAVRA PARADOXAL”

Hoje, ‘lusofonia’ é o conjunto dos falantes de português, com todas as suas diferenças. É isso o que estamos a celebrar

Nascido em 1959, numa família timorense onde se falavam esses e outros idiomas não oficiais, Cardoso escolheu escrever em português. Radicado em Portugal desde a ocupação indonésia, é autor do primeiro romance lusófono timorense, “Crônica de uma travessia”, de 1997.

— O português é a minha língua literária — diz.

O historiador português Miguel Real define “lusofonia” como uma palavra “paradoxal”. Na Idade Média, ela se referia apenas aos portugueses, diz. Depois de séculos sem uso, voltou nos anos 1970, após as independências das ex-colônias africanas, com um viés conservador, de valorização da influência portuguesa e dos valores morais europeus. Mas também já deixou de ser isso, diz Real:

— Hoje, “lusofonia” é o conjunto dos falantes de português, com todas as suas diferenças. É isso o que estamos a celebrar nesse encontro.

*Guilherme Freitas viajou a convite da União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa (UCCLA)

oglobo.globo.com | 2/3/16 8:00 AM
Câmera em tartaruga alerta para fragilidade de vida marinha
Ambientalistas acoplaram uma câmera a uma tartaruga devolvida ao mar no oceano Índico para ... noticias.terra.com.br | 1/19/16 4:48 PM
Chegada de sonda a Júpiter é um dos eventos mais esperados de 2016

Maior planeta do Sistema Solar, Júpiter deverá ter alguns de seus segredos revelados a partir de julho, com a entrada da sonda Juno em uma órbita polar em torno dele. Lançada em 2011, a missão da Nasa é um dos grandes destaques da exploração espacial em 2016, que também verá as partidas em março da primeira nave do programa ExoMars, da Agência Espacial Europeia (ESA), para estudos da atmosfera e do solo de Marte, e da sonda Osiris-Rex, também da Nasa, em setembro, com encontro marcado com o asteroide Bennu em 2018 — e volta à Terra com uma amostra inédita desta rocha espacial, verdadeiro “fóssil” da formação do Sistema Solar, em 2023. Já na astronomia, este ano trará sua cota usual de chuvas de meteoros e eclipses lunares e solares — infelizmente nenhum deles visível do Brasil — e um raro trânsito de Mercúrio pelo Sol, em maio, que poderá ser observado em nosso país.

— Com a Juno, este realmente deverá ser o ano de Júpiter — considera Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio. — Por mais que tenhamos apego à Terra, Júpiter é o primogênito e principal planeta do Sistema Solar, com uma massa maior que a soma de todos os outros planetas juntos. Tudo que aconteceu na formação do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos, aconteceu primeiro lá e, assim, todas informações que conseguirmos sobre ele e sua evolução nos darão uma ideia mais precisa sobre a formação dos demais planetas e sua influência neste processo.

INSTRUMENTOS SENSÍVEIS E INÉDITOS

Para conseguir estas informações, a Juno conta com um conjunto de sensíveis e inéditos instrumentos para investigação das características de Júpiter, já observado de perto por várias outras missões da Nasa, das sondas Voyager 1 e 2, de passagem, no fim dos anos 1970, à mais recente Galileo, primeira e até agora única a entrar em sua órbita, em meados da década de 1990. Girando continuamente cerca de três vezes por minuto para maior estabilidade e melhor controle, a Juno carrega um magnetômetro que, ao longo dos aproximadamente 20 meses e 37 órbitas da missão, permitirá mapear pela primeira vez seu poderoso campo magnético com alta precisão em três dimensões, fornecendo detalhes sem precedentes sobre o dínamo interno do planeta que o alimenta.

Outro equipamento da Juno cujos dados são aguardados com ansiedade pelos cientistas é a sua câmera-espectrômetro infravermelha. Com ela, os pesquisadores poderão pela primeira vez “penetrar” a grossa camada de nuvens que recobre o gigante gasoso, fazer imagens de suas auroras polares e estudar a composição exata de sua atmosfera, também uma verdadeira “relíquia” da formação do Sistema Solar, além de identificar a possível existência de um núcleo sólido de hidrogênio metálico no planeta e, talvez, resolver o mistério do porquê de Júpiter emitir por volta de duas vezes mais radiação nesta faixa do espectro, na forma de calor, do que recebe do Sol.

— Uma das características mais enigmáticas de Júpiter é essa emissão térmica peculiar, e queremos entender de onde vem esta energia — conta a astrônoma brasileira Duilia de Mello, professora da Universidade Católica da América, nos EUA, e pesquisadora do Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa. — Planetas só refletem a radiação que recebem de sua estrela e os outros gigantes gasosos do Sistema Solar, Saturno, Urano e Netuno, não apresentam este tipo de emissão. Assim, alguma coisa tem que estar acontecendo dentro de Júpiter para produzir esta radiação.

Segundo Duilia, são várias as hipóteses atuais sobre o que pode estar por trás deste fenômeno. Muitas vezes descrito como uma estrela “frustrada”, que não atingiu massa suficiente para dar início às reações de fusão nuclear que alimentam astros como nosso Sol, talvez ainda assim Júpiter seja grande o bastante para que algum processo físico diferente em seu interior responda por esta energia “a mais”. Outra opção é que seu eventual núcleo esteja girando tão rápidamente e/ou sua atmosfera seja tão turbulenta que só o atrito responda por este calor excessivo.

— Mas o fenômeno provavelmente tem alguma coisa a ver com algo que aconteceu ainda no processo de formação do Sistema Solar que dura até hoje — aposta a astrônoma. — Além disso, como Júpiter é muito grande, talvez ele ainda não tenha esfriado o suficiente desde que foi formado. O certo é que algo está acontecendo lá dentro do planeta que a gente não consegue ver e que a missão da Juno vai ajudar a revelar.

Cherman, por sua vez, acredita que a melhor compreensão sobre os processos de formação e evolução de Júpiter terá muito a dizer sobre como os outros planetas se formaram e o porquê de o Sistema Solar ter a configuração que tem, com os pequenos planetas rochosos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — mais próximos do Sol enquanto os gigantes gasosos ficam bem mais afastados, diferente de muitos dos sistemas planetários extrassolares descobertos até agora, em que gigantes gasosos foram identificados bem perto de suas estrelas e, por isso, acabaram apelidados de “jupiteres quentes”.

— Claro que podemos ter aí um vício de origem, já que como os jupiteres quentes são planetas gigantes, talvez os maiores em seus sistemas, e estão bem próximos de suas estrelas, essa configuração faz com que naturalmente eles sejam os primeiros a serem encontrados — ressalva Cherman. — Mas Júpiter certamente teve uma forte influência na formação dos demais planetas do Sistema Solar. De início, ele “maltratou” seus irmãos mais novos, inclusive impedindo a formação de um deles, o que resultou no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Mas, depois, Júpiter se tornou seu guardião, atraindo para si os fragmentos e sobras da formação do Sistema Solar que poderiam, por exemplo, ter exterminado a vida na Terra e nos ameaçar até hoje. Além disso, como o Sol é uma estrela anã, talvez ele não tenha tido gravidade suficiente para “puxar” Júpiter mais para perto como vemos em outros sistemas extrassolares, o que, se tivesse acontecido aqui, iria bagunçar bastante a nossa vida.

EVENTOS ASTRONÔMICOS

Chuvas de meteoros: Este ano, duas das principais chuvas de meteoros com boa visibilidade no Hemisfério Sul, os Lirídeos, em abril, e os Geminídeos, em dezembro, serão prejudicadas pela proximidade da Lua cheia, que obscurece a visão das populares “estrelas cadentes”. Assim, no Brasil, as melhores oportunidades para ver estrelas cadentes serão as chuvas dos Quadrantídeos, com pico previsto já para a noite de hoje e Lua em quarto minguante, e a dos Eta-Aquarídeos, com seu auge estimado para a noite de 6 para 7 de maio, época de Lua nova.

Eclipses do Sol e da Lua: Depois de poderem ver uma série de eclipses lunares em 2015, os brasileiros estarão fora da área de visibilidade dos fenômenos previstos para este ano, do tipo penumbral, que acontecerão no fim de março e em meados de setembro. O país também está fora da região de visibilidade dos dois eclipses solares de 2016. O primeiro, total, acontecerá em 9 de março e poderá ser visto da área central da Indonésia ao Oceano Pacífico, enquanto o segundo, anular, ocorrerá em 1º de setembro, visível da costa Leste da África ao Oceano Índico.

Trânsito de Mercúrio: Planeta mais próximo do Sol, Mercúrio vai cruzar a superfície da estrela do ponto de vista da Terra em 9 de maio. Este tipo de fenômeno, conhecido como “trânsito”, é mais raro que os eclipses, e no caso de Mercúrio ocorre cerca de 13 vezes a cada século. No Rio, como no resto do país, o trânsito de Mercúrio de 2016 poderá ser visto na íntegra, com o planeta descrevendo uma curva pelo Sol ao longo de cerca de sete horas e meia a partir das 8h13. A observação do fenômeno requer uso de equipamentos com filtros especiais, sob risco de cegueira.

oglobo.globo.com | 1/3/16 8:00 AM
Cientistas identificam mecanismo para bloqueio do chicungunha

RIO – Uma equipe de cientistas identificou os mecanismos que fazem com que dois tipos de anticorpos monoclonais bloqueiem a ação do vírus chicungunha, também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, em diferentes estágios da infecção ao impedirem não só que eles invadam as células do corpo como escapem das que já infectaram. Conhecidos como C9 e IM-CKV063, estes dois anticorpos específicos contra o micro-organismo foram isolados e produzidos a partir de clones das células de defesa do organismo de duas vítimas da doença em epidemias que atingiram as Ilhas Reunião, possessão francesa no Oceano Índico, em 2006, e no Norte da Itália em 2007, daí o nome “monoclonais”. A esperança é de que a descoberta, feita em experimentos com camundongos, indique caminhos para o desenvolvimento de novos tratamentos e vacinas tanto para o chicungunha quanto para outras doenças infecciosas virais.

- A inibição do vírus da chicungunha, tanto no ponto de entrada quanto no de saída das células, é mais uma importante peça do quebra-cabeça que pode levar a novas abordagens no tratamento e nas vacinas na luta contra doenças infecciosas – diz Graham Simmons, pesquisador do Instituto de Pesquisas de Sistemas Sanguíneos (BSRI) sediado em São Francisco, EUA, e líder do estudo, cujos resultados foram publicados na edição desta quinta-feira do periódico científico de acesso aberto “Cell Reports”.

Em estudo anterior, Simmons e colegas do BSRI e da Universidade de Washington, também nos EUA, demonstraram que grupos de anticorpos monoclonais de neutralização cruzada podem inibir a entrada e saída das células do corpo de mais de um tipo de alfavírus, gênero ao qual pertence o chicungunha. Eles acreditam que estes resultados podem eventualmente levar ao desenvolvimento de vacinas capazes de fornecer proteção contra múltiplos vírus, em um importante avanço no combate a doenças infecciosas em todo mundo.

- Para o chicungunha especificamente, no entanto, precisamos de mais pesquisas para saber se o vírus pode ser transmitido por maior de transfusões de sangue e se o recebedor do sangue infectado desenvolve os sintomas da doença – destaca Simmons.

A preocupação do pesquisador advém do fato de o BSRI se dedicar a investigar métodos para detecção e prevenção da transmissão de doenças por transfusões de sangue e assim garantir a segurança dos produtos distribuídos pelos bancos de sangue. Levantamento realizado pelo instituto em colaboração com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC) e várias outras instituições, por exemplo, mostrou um alto nível de doações infectadas durante epidemia de chicungunha em Porto Rico em 2014 que atingiu quase 25% da população do território americano. Recentemente, o BSRI fechou acordo com outros institutos de pesquisa para realizar uma investigação em São Paulo com o intuito de determinar se o chicungunha é transmitido por transfusões de sangue e, caso positivo, quais são as consequências clínicas disso para os recebedores do sangue. O estudo está previsto para ter início em 2016 ou 2017, dependendo do possível avanço do vírus no país.

oglobo.globo.com | 12/11/15 8:00 AM
Objeto misterioso cai na Terra na sexta-feira
Um objeto desconhecido vai cair na Terra na próxima sexta-feira, no oceano índico (perto do Sri Lanka), admitindo os cientistas que se trate de um pedaço de lixo espacial. feeds.jn.pt | 11/10/15 9:34 AM
Pedaço de lixo espacial deve cair na Terra nesta sexta-feira 13

RIO – Cientistas e astrônomos amadores ao redor do mundo estão acompanhando de perto a trajetória do que se acredita ser um pedaço de lixo espacial que deverá cair na Terra na próxima sexta-feira, 13 de novembro, sem nenhum risco para pessoas em solo. Designado WT1190F, o objeto foi detectado pela primeira vez em 2013 pelo Levantamento do Céu Catalina - projeto baseado na Universidade do Arizona, EUA, com o objetivo de buscar por asteroides e cometas que passem perto de nosso planeta, os chamados NEOs (sigla em inglês para “objetos próximos da Terra”) – em uma órbita translunar, isto é, que o leva além da Lua, e novamente observado no último dia 3 de outubro.

Além disso, o WT1190F apareceu pelo menos três vezes nos arquivos do Pan-STARRS, outro programa de busca de NEOs que usa telescópios instalados no Havaí, em 2012, 2013 e 2015. Estes múltiplos avistamentos permitiram aos cientistas calcularem com uma precisão inédita sua reentrada na atmosfera, prevista para as 4h19 de sexta (horário de Brasília) em um ponto sobre o Oceano Índico a cerca de 100 quilômetros ao Sul da costa do Sri Lanka, segundo a Agência Espacial Europeia (ESA).

- O objeto é bem pequeno, com no máximo um par de metros de diâmetro, e uma parte significativa dele, se não todo, deverá queimar completamente na atmosfera – disse Tim Flohrer, funcionário do Escritório para Lixo Espacial da ESA junto ao centro de operações da agência europeia, em um comunicado.

Ainda de acordo com a ESA, análises da trajetória do WT1190F indicam que o objeto tem uma densidade muito baixa, apenas 10% a da água, bem menor do que a de rochas que comporiam um asteroide ou mesmo da mistura de rochas, poeira, gelo e gases de um cometa. Isso e a sua órbita translunar sugerem que ele seja uma relíquia de missões à Lua, talvez mesmo dos voos tripulados do projeto Apollo realizados pela Nasa entre o fim dos anos 1960 e início da década de 1970.

- Sua densidade de fato é compatível com o objeto ser uma casca oca, como o último estágio usado de um foguete ou parte de um estágio – considerou Detlef Koschny, responsável pelas atividades relativas a NEOs da ESA no mesmo comunicado.

oglobo.globo.com | 11/9/15 6:56 PM
Objeto não identificado está em rota de colisão com a Terra

RIO — Um objeto espacial detectado no início do mês está em rota de colisão com a Terra, com queda prevista para o próximo dia 13, informa artigo publicado recentemente na revista científica “Nature”. De acordo com pesquisadores, o corpo tem entre um e dois metros de diâmetro, e deve queimar por completo durante a entrada na atmosfera do planeta. Apesar de não apresentar riscos para a Humanidade, o fenômeno tem importância ímpar para a ciência, por proporcionar a oportunidade inédita de acompanhamento e testar planos de esforços coordenados para uma situação de perigo real.

O WT1190F foi detectado pelo Catalina Sky Survey, programa baseado na Universidade do Arizona, em Tucson, com objetivo de descobrir cometas e asteroides que se aproximam da Terra. Agora, um projeto internacional de observação está sendo montado para acompanhar a entrada do objeto na nossa atmosfera, informou Gerhard Drolshagen, da Agência Espacial Europeia (ESA).

— O que nós planejamos parece estar funcionando — disse Drolshagen. — Mas ainda faltam duas semanas.

Os cálculos indicam que o WT1190F possui uma órbita elíptica de duas vezes a distância da Lua, e deve atingir a Terra às 4h20 (pelo horário de Brasília) do dia 13 de novembro, atingindo o oceano Índico, a cerca de 65 quilômetros ao sul do Sri Lanka. À primeira vista, os astrônomos não sabiam de onde o objeto havia surgido, mas o astrônomo independente Bill Gray, que rastreia destroços espaciais para o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, afirma que ele já foi visto em 2012 e 2013. A expectativa é que todo o corpo seja consumido no calor da entrada na atmosfera.

— Mas eu não gostaria de estar pescando naquela região — brincou Gray.

A trajetória aponta que o WT1190F possui baixa densidade e, provavelmente, é oco. Isso sugere um objeto artificial, “um pedaço perdido da História espacial que volta para nos assombrar”, disse Jonathan McDowell, astrofísico do Centro para Astrofísica Harvard–Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts. Pode ser um estágio de foguete gasto ou painéis perdidos em recentes missões à Lua. Também pode se tratar de destroços de décadas, talvez da época das missões Apollo. Um objeto localizado em 2002 foi identificado como uma peça descartada do foguete Saturno V que levou a segunda missão tripulada à Lua.

ESPAÇO

Apesar das especulações, os cientistas não sabem exatamente o que é o WT1190F. Mas existe um consenso: a descoberta do objeto a apenas um mês do impacto indica a importância de se aumentar os esforços para a identificação de corpos que apresentem riscos de colisão. Gareth Williams, astrônomo do Minor Planet Center, em Cambridge, Massachusettes, afirma que existem apenas 20 objetos parecidos com o WT1190F sendo rastreados atualmente. Provavelmente existem muitos outros destroços espaciais em órbita ao redor do sistema Terra-Lua.

De acordo com Drolshagen, da ESA, os planos envolvem a coleta de informações espectrais do objeto, que podem ajudar a identificá-lo. O projeto envolve observações a bordo de aviões e navios. Entretanto, após a colisão, os esforços concentrados para estudar esse tipo de objeto devem ser desfeitos. Diferente dos asteroides que se aproximam da Terra, destroços espaciais em órbita distante do planeta não recebem atenção. Até mesmo as forças armadas americanas, que rastreiam o lixo espacial, não possuem capacidade para identificar o WT1190F e predizer sua trajetória.

— Não existem esforços oficiais, com financiamento, para rastrear órbitas profundas da mesma forma que rastreamos órbitas baixas — disse McDowell, do Centro para Astrofísica Harvard–Smithsonian. — Eu acredito que isso precisa mudar.

oglobo.globo.com | 10/28/15 1:17 PM
Encontrada nova espécie de tartaruga gigante em Galápagos

Tartaruga RIO - Pesquisadores equatorianos e internacionais descobriram que uma das populações de tartarugas gigantes que habitam a Ilha Santa Cruz, no arquipélago de Galápagos, pertence a uma nova espécie. A informação foi confirmada pelo Ministério do Meio Ambiente local.

"Historicamente, considerava-se que as duas populações de tartarugas gigantes que moram na ilha Santa Cruz, pertenciam à mesma espécie. Mas novos estudos genéticos determinaram (...) que as tartarugas que moram no lado oriental da ilha Santa Cruz, ao redor da área conhecida como como "Cerro Fatal", correspondem a uma nova espécie, diferente das que moram na parte ocidental", informou o órgão em comunicado.

A espécie foi batizada como Chelonoidis donfaustoi, em homenagem a Fausto Llerena, cuidador do "Lonesome George" ("George Solitário", em português), o último exemplar da espécie Chelonoidis abigdoni que habitava outra ilha, morto há três anos.

Os cientistas descobriram também que a população desses animais é bem pequena. São cerca de 250 a 300 exemplares, segundo a pesquisa, que foi liderada por Gisella Caccone, da universidade norte-americana de Yale.

- Essa descoberta integra o processo de compreensão sobre o histórico da evolução desse grupo que inspirou Charles Darwin quando ele visitou as ilhas e certamente contribuiu para o desenvolvimento da teoria dele sobre a evolução por seleção natural - disse Gisella.

Os estudos começaram em 2002, quando dois pesquisadores acreditaram que estas tartarugas deveriam ser de uma espécie diferente em função do formato do casco diferenciado. Diante disso, foram analisadas cerca de dez amostras genéticas. Em 2005, resultados preliminares já sugeriam que se tratava de uma espécie diferente, até que veio a confirmação. Apesar da diferença de casco, a principal distinção é o nível genético.

As Ilhas Galápagos representam um dos únicos locais habitados por tartarugas gigantes, junto com o atol de Aldabra, no Oceano Índico. As tartarugas de Galápagos se alimentam de gramas, folhas, cactus e frutas, mas podem sobreviver até um ano sem comida ou água.

Classificadas como espécies ameaçadas de extinção, elas eram caçadas por marinheiros que as escondim nos porões dos navios para serem usadas como alimento durante longas viagens marítimas.

Estima-se que existiam 15 espécies de tartarugas em Galápagos, das quais quatro já foram extintas: Chelonoidis abigdoni (da Ilha Pinta), Chelonoidis fhantastica (Ilha Fernandina), Chelonoidis sp (Ilha Santa Fe) e a Chelonoidis elephantopus (Ilha Floreana).

oglobo.globo.com | 10/22/15 11:34 AM